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PROJETO BIOARQUITETURA VIVA / CASA COM ESSÊNCIA DO DONO

Projeto de Bioarquitetura A casa, bem como seus moradores, consomem material e gera dejetos. Portanto, uma construção residencial deve estar relacionada ao bem-estar e à saúde de seus habitantes. São casas com elementos construtivos, material, técnicas, envolvimentos, direcionamentos, essências, questionamentos e apontamentos que sempre consideram a saúde de quem as ocupa.

Essa prática tem sido adotada pela BIOhabitate – Saúde Ambiental e Arquitetura Viva, fundada em 2004 pelo arquiteto, bioconstrutor e geobiólogo Flávio Duarte e coordenadas pelos arquitetos Flávio Duarte e Bruno Azevedo. A BIOhabitate construiu a casa das fotos ,em formato de estrela e uma área de lazer em meia-lua no sítio de um advogado de Belo Horizonte, em Rio Manso, na Região Metropolitana de BH, utilizando material e meios ecológicos.

A técnica inicial de criação dos Projetos Arquitetônicos da BIOhabitate é comum a todas as construções, que leva em consideração a análise do programa de necessidades e os condicionantes físicos do local, como por exemplo, onde nasce e morre o sol e o relevo. Mas o diferencial é saber o que é bom e o que não é para o cliente.

Desde o início do projeto, o cliente participa de todos os momentos da criação e desenvolvimento. Logo no primeiro contato informamos o clinete que ele vai precisar de “trabalhar” junto com a agente no projeto. A participação do futuro morador é imprescindível, porque nós arquitetos temos uma visão pessoal de gosto e até de sensações. Por exemplo, às vezes gostamos do quarto iluminado pela manhã e nosso cliente não. É preciso harmonizar o desejo da pessoa com as questões de salubridade e as condições do terreno e entorno.

A participação dos proprietários e futuros usuários começa por uma ”viagem”, provocada pelos arquitetos da BIOhabitate. Eles devem pensar como seria sua casa depois de pronta. Ele dá as coordenadas do que quer, cores, pavimentos, iluminação. A casa do seu sonho. O processo é uma gestação. Os arquitetos levam a família para o terreno e dão um lápis de cor para cada membro. Cada cor representa uma sensação: vermelho é surpresa, impacto; azul é sonolência; verde é alegria; e amarelo, estabilidade. Eles vão marcar com as cores, no mapa do lugar, as sensações. É a grande ferramenta de projeto para que a casa tenha a cara do desejo do dono.

A pessoa tem que perceber as sensações diante do terreno e do espaço de que dispõe. Se, em determinado lugar do terreno, o padrão é de sensações de sonolência, as pessoas bocejam ou sente sono, não vai dar certo instalar ali uma sala de ginástica ou escritório de contabilidade. Por isso, é importante que a casa proporcione que as funções pretendidas para o espaço e o bem-estar desejado pelo cliente sejam alcançados satisfatoriamente.

É interessante sentar em roda e fazer uma dinâmica. Cada um fala do que sente em determinado lugar, a respiração, o batimento cardíaco e o pensamento; e ai vai mudando de lugar no terreno. É uma verdadeira psicologia; é fazer o cliente sentir o ambiente. Para que no futuro próximo os moradores possam conseguir dormir bem em seus quartos, e não ficarem dormindo na sala de TV porque se sentem melhor ali.

Nós da BIOhabitate que sempre tivemos uma certa queda a estar próximo da natureza. Não é foi em um processo empresarial que a BIOhabitate surgiu e sim em um processo pessoal dos envolvidos na empresa. Na busca da atividade profissional que seja satisfatória de se fazer no dia-a-dia; todos da empresa gostam do que fazem. Aprendemos que a arquitetura e a construção podem ser vivas, saudáveis e nascerem de processo pessoal intimamente ligado à natureza interna dos clientes e ao meio ambiente.

Reportagem publicada no Jornal Estado de Minas do dia 18/08/2010 com fragmentos de entrevista feita por Elian Guimarães com Flávio Duarte, arquiteto, bioconstrutor, fundador e diretor executivo da BIOhabitate – Saúde Ambiental e Arquitetura Viva.

O MERCADO DA CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL É PROMISSOR

Construção SustentávelA ideia, ao trabalhar com material de baixo impacto, é proporcionar arquitetura viva, também conhecida como bioconstrução ou bioarquitetura. A moradia deve proporcionar saúde e sustentabilidade ambiental para o habitante e para o ambiente.

O mercado é promissor e abre vários caminhos, independentemente de modismos. É bom para a Terra e para o ser vivo. Sinaliza para mudança no processo construtivo, conforme analisa o arquiteto e geobiólogo Flávio Duarte. “Você observa hoje grandes indústrias certificadas no sistema de gestão ambiental. Há grande preocupação com essa questão, para garantir processos menos danosos. É bom para todos. Vale a pena entrar nesse viés”, afirma.

Segundo Flávio, a bioconstrução ou bioarquitetura vai atrás de material in loco, material fornecido pelo próprio terreno ou suas imediações. “O construtor aproveita o barro, a tabatinga, pede ao vizinho um esterco de boi e, juntando tudo, acaba saindo barato. Mas na cidade tem jeito? Tem, mas o barato ou caro depende da disponibilidade de tempo do empreendedor e de material. A mão de obra se perdeu e precisa ser treinada. As pessoas sábias nesse setor já estão envelhecidas e não dão muito conta do batente. Ao ver um tijolo convencional, de dois quilos, e um de adobe, de 7 quilos, um garoto aprendiz vai querer fazer o mais leve. A situação de imediatismo compromete a saúde e a preservação ambiental. Hoje, há dificuldade de encontrar adobe e, quase sempre, quando se opta por esse material, é preciso fazer o tijolo.”

INSUMO

“O material tradicional – adobe, pau a pique e tinta de caiação – ainda está em níveis de aproximação da natureza. Nas áreas rurais, as pessoas tinham isso em mãos. Não havia processamento e o impacto ao meio ambiente e para a pessoa era infinitamente inferior ao que é hoje. Nas técnicas modernas e atuais, basta consultar um catálogo de tintas e escolher a cor”, conta o geobiólogo. Segundo ele, o cliente encontra um produto totalmente processado, que precisa de insumo para ser fabricado industrialmente. Quase ninguém utiliza a tabatinga para corar. Usa-se o titânio ou o cobalto para o tom alaranjado. São metais pesados. A diluição da tinta, em vez de água, é feita com solvente, composto volátil orgânico com forte cheiro de verniz, que incomoda e é altamente tóxico.

Flávio garante que o sistema é viável em qualquer frente, inclusive em moradias populares. “Prestei consultoria a uma empresa com o primeiro projeto de casas populares com conceito de sustentabilidade. O projeto prevê captação de água da chuva, reutilizada em vaso sanitário com duas válvulas, para líquido e para sólido. Tem um teto vivo que é um pouco térmico e acústico.” Mas é uma mudança de comportamento em que o usuário precisa ser treinado para cuidar da manutenção desses novos elementos. “Mas é um projeto passível de ser produzido em escala industrial”, diz.

Reportagem publicada no Jornal Estado de Minas do dia 18/08/2010 com fragmentos de entrevista feita por Elian Guimarães com Flávio Duarte, arquiteto, bioconstrutor, fundador e diretor executivo da BIOhabitate – Saúde Ambiental e Arquitetura Viva.