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Bioconstrução Saudável

Obras, Cursos e Ações. O dia-a-dia da Biohabitate

Sejam bem vindos em nossa casa virtual, um lugar para contar mais de nossa história, missão e ações já realizadas. Além disso um canal de diálogo com nossos amigos, clientes, colaboradores e parceiros.

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Oficina Bioconstrução – Pau a Pique e Hiperadobe

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OFICINA PRATICA – Pau-a-pique e Hiperadobe (Terra ensacada). Macacos-MG. 25-26 junho 2016.

INVESTIMENTO
Deposito bancário com desconto feito até dia 20/06/2016, valor do curso = R$ 200,00

Deposito bancário feito do dia 21/06/2016 até dia 23/06/2016, valor do curso = R$ 260,00

Deposito bancário feito do depois do dia 23/06/2016, valor do curso = R$ 350,00

–Estudantes de graduação e cursos técnicos terão 20% de desconto, e associados no IAB-MG (em dia com as mensalidades) terão 10% de desconto nos valores do cursos de acordo com as faixas de preço e sua data de inscrição.

OBJETIVO GERAL
Tanto na construção quanto durante o uso, os ambientes construídos geram consideráveis impactos no meio ambiente e na saúde e bem estar dos seres que o ocupam. A maioria das degradações, poluições, síndromes e patologias tem ligação direta com a maneira como moramos, ocupados, edificamos e organizados os ambientes construídos e suas relações com a natureza.

A Construção com Terra crua é uma técnica construtiva que conceitualmente utiliza o solo estabilizado sem queima (cozimento) como principal material construtivo. Em todos os continentes, e ao longo de toda história da humanidade, o solo tem se mostrado, por diversas razões – custo, abundância, trabalhabilidade, estética – , o material de construção que mais tem potencial de gerar ambientes saudáveis e excelentes níveis de sustentabilidade.

Além disso, sempre esteve ao alcance do homem com mais facilidade em seus estágios de evolução, inclusive nos dias atuais.

Considerando a importância do aspecto relacionado com a satisfação humana de habitar, e o competitivo mercado da construção civil, a arquitetura de terra aplicada nos dias de hoje deve não apenas ser vista como resgate de processos utilizados por nossos antepassados, mas sobretudo como um caminho possível para a melhoria na cadeia produtiva da construção civil, com menos impactos ambientais e humanos, e níveis satisfatório de conforto, estética, durabilidade bem estar e qualidade dos ambientes edificados..

A oficina tem como eixo ordenador ações e práticas que promovam bem estar integral e desenvolvimento sustentável, através da reformulação de valores e sensibilização pessoal para a salubridade e sustentabilidade dos espaços construídos, além da otimização dos recursos naturais e humanos envolvidos durante o projeto, ocupação e construção.

OBJETIVO ESPECÍFICO
Introduzir os participantes no universo da construção com terra, orientados à ocupação, criação, manutenção e reorganização de ambientes naturais ou construídos de maneira saudável e sustentável.

PROGRAMA E TEMÁTICAS
A oficina será basicamente pratica, com explicações e contextualizações das ações na sua maioria no canteiro de obras. Com 14h de duração no sábado dia 25 e domingo dia 26 de junho de 2016. A oficina contará com prática de construção com pau a pique e terra ensacada (“hiperadobe”) e reboco de terra. Vejam abaixo o programa para a oficina.

OFICINA PRÁTICA: Macacos – MG

– BIOconstrução e Sustentabilidade / Contexto / histórico / conceitos
– Projetando BioArquitetura / co-criando com o cliente e lapidando sonhos e desejos
– Geobiologia / Casa Viva Saudável x Sindrome do Edifico Doente
– Construção com terra / composição e escolha de solos corretos
– Técnicas de Identificação e estabilização de solos
– Pratica construção com pau a pique – trama e enchimento
– Pratica construção com terra ensacada – Hiperadobe
– Pratica com reboco terra / traços / misturas e aplicação

LOCAL
Macacos – São Sebastião das Águas Claras – MG

DATA
Dia 25 de junho das 8h às 17h
Dia 26 de junho das 8h às 14h

INFORMAÇÕES
Tel Zap – Raul 99245 5095 ou Flávio Duarte998235259
Mail: cursos@biohabitate.com.br

FORMULÁRIO DE INSCRIÇÃO:
http://goo.gl/forms/DucuhtCSwpzyCLy72

Para efetivar sua inscrição você deve preencher corretamente o formulário no link acima, realizar depósito na conta bancária abaixo, e enviar o comprovante de deposito com seu nome completo para cursos@biohabitate.com.br. Assim que recebermos seu formulário devidamente preenchido e comprovante do depósito bancário sua inscrição será efetivada e lhe enviaremos o mapa do local do curso.

OBS: Em caso de cancelamento do curso por parte da organização devolveremos 100% do valor pago pelo curso. Caso o inscrito desista de participar do curso depois de já ter efetivado sua inscrição, devolveremos 60% do valor pago pelo curso para desistências ate no máximo dia 19 de junho de 2016. Para desistências após essa data, não será devolvido nenhum valor nem parte dele para o inscrito desistente. Os valores citados acima serão retidos para cobrir custos de organização do curso contando com a presença de cada inscrito.

Dados bancários para inscrição
Flávio Pereira Dias Duarte
Banco: Caixa Econômica Federal – 104
Agencia: 2922
Conta corrente: 21737-5
Operação: 01
CPF – 055.511.356-67

MAPA – LOCALIZAÇÃO
ACESSO CARRO
A oficina será ministrada no vilarejo de Macacos (São Sebastião das Águas Claras), localizado na cidade de Nova Lima-MG. Melhor acesso para Macacos é pegar a saída para o Rio de Janeiro, seguir na BR-356 passando pelo viaduto da Mutuca. Sair da BR à direita seguindo placa para São Sebastião das Aguas Claras. (Para aqeueles que efetivarem sua inscrição, enviaremos mapa detalhado e endereço exato da localização do curso)

Veja Abaixo link com mapa de acesso do BH Shopping (Belo Horizonte-MG) ate Macacos.

https://www.google.com.br/maps/dir/BH+Shopping+-+Rodovia+BR+356+-+Belvedere,+Belo+Horizonte+-+MG/São+Sebastiao+das+Águas+Claras,+Nova+Lima+-+MG/@-20.0105628,-43.9654324,11299m/data=!3m2!1e3!4b1!4m14!4m13!1m5!1m1!1s0xa69818dc26fefb:0x8d174716ed2afa87!2m2!1d-43.9447438!2d-19.9746697!1m5!1m1!1s0xa6a36d4b97c4e5:0x8966ceb321a139ae!2m2!1d-43.9160256!2d-20.0494418!3e0

ACESSO ONIBUS
Para o acesso de quem vai de ônibus veja as informações abaixo. Lembramos que colocaremos os participantes em contato entre si, para organizarem sua caronas solidarias. Faremos isso mais próximo da data quando fecharmos as inscrições.

http://www.santafetransportes.com.br/linha3915.php

HOSPEDAGEM

Em Macacos existem várias pousadas para os interessados em pernoitarem no Vilarejo. Veja no link do Mapa de localização algumas opções de pousadas próximo ao local do curso. A partir da maioria das pousadas localizadas no centro de Macacos na Rua Dona Maria da Gloria, é possível ir caminhando para o local do curso. Veja Abaixo algumas opções de pousada em Macacos.

http://www.portalmacacos.com.br/pousadasmacacos.php

 

BIOCONSTRUÇÃO – CONSTRUÇÕES SUSTENTÁVEIS

BioconstruçãoA BIOconstrução pode ser resumida como cultura construtiva e de habitat que considera a edificação; desde sua concepção, obra e uso, até sua desconstrução; um SER VIVO que se relaciona, o mais positivamente possível, com outros seres, com seu habitat e com seus ocupantes de acordo com as variantes que compõe seu nicho ecológico* (recursos – condições – interações).

Podemos então denominar de BIOCONSTRUÇÃO, ou Construção Viva, toda aquela construção que gera e mantém o bem-estar e a saúde de todos os habitantes ou usuários dos espaços conformados; além de preservar ao máximo as condições e ciclos naturais do planeta.

Desde o processo de concepção e projeto, até seu processo de construção e inclusive durante todo seu tempo de uso, as construções são consumidoras de recursos, energia e materiais que em sua maioria não são recicláveis ou renováveis, e alem disso também são geradoras de dejetos e lixos contaminantes ou poluentes.

Sem foco na salubridade e sustentabilidade, a maioria dos edifícios projetados e construídos em uma sociedade baseada no consumo são insalubres e insustentáveis.

Para nosso contexto atual a BIOconstrução é uma importante ferramenta para resgate das relações ECOLÓGICAS HARMÔNICAS entre as construções e seus ecossistemas, com base na preservação das condições naturais de saúde dos seres vivos e dos ambientes naturais.

Assim como nossas vestimentas as edificações são extensões de nosso corpo, e devem assim ser o mais orgânicas, naturais e o menos impactante possível para nós e para o planeta Terra.

*NICHO ECOLÓGICO – “Maneira como um ser vivo ou uma população vive dentro de um ecossistema gerando efeito e respostas fisiologicas em outros seres e no meio ambiente” (Wikipedia)

CONSTRUÇÃO E ARQUITETURA DE TERRA CRUA

Construção terra cruaA Construção com Terra crua é uma técnica construtiva que conceitualmente utiliza o solo sem queima (cozimento) como principal material construtivo. A terra é denominada em termos técnicos de solo, que é entendido como o produto da decomposição de rochas, elementos minerais e/ou orgânicos.

Também é de comum denominar construções onde a utilização da maioria dos elementos construtivos são de Terra Crua, como Arquitetura de Terra.

O gasto nulo de energia, o excelente potencial de conforto térmico e acústico, o grande potencial de reciclagem, a grande disponibilidade e produção zero de lixo e poluentes, fazem com que as construções com terra crua sejam vistas como uma das alternativas mais coerentes e viáveis para minimização dos impactos indesejáveis da construção no meio ambiente e nas pessoas que usufruem dos espaços construídos.

Em todos os continentes, e ao longo de toda história da humanidade, o solo tem se mostrado, por diversas razões (custo, abundância, trabalhabilidade etc.), o material de construção que mais esteve ao alcance do homem em seus estágios de evolução, inclusive nos dias atuais.

Registros das mais variadas modalidades de obras (edificações, estradas, barragens, contenções etc.), que chegam a datas de mais de 9.000 anos, são encontrados em sítios arqueológicos e patrimônios históricos de civilizações anteriores, tais como a chinesa, a egípcia, a romana e até a civilização americana pré-colombiana, entre outras.

É importante ressaltar que, ainda hoje, devido à abundância, o solo é dos recursos naturais o mais representativo para suprir uma importante necessidade básica do homem – a moradia. Temos atualmente mais de ¾ das construções fora dos centros urbanos construídos com terra.

No entanto, o bom desempenho recomendado para edificações construídas com “terra” é essencialmente governado pelo tipo de tratamento tecnológico direcionado à potencialização de certas propriedades que tornem o solo um material tecnicamente competitivo com o concreto e o aço.

As principais vantagens das construções com terra;

1 – São construções extremamente saudáveis, seguras, duráveis e com alto padrão de sustentabilidade
2 – Confortos acústicos e térmicos de até 30% em relação às coberturas convencionais
3 – Qualidade higroscópica da terra crua permite uma permeabilidade seletiva, otimizando as trocas gasosas e a dispersão da umidade. As paredes “respiram”
4 – Diminuição da variação de temperatura no interior das edificações ou baixa amplitude térmica
5 – Não derruba árvores para queima e não lança CO2 na atmosfera, minimizando o efeito estufa
6 – Tem acabamento natural de alto padrão estético e de grande durabilidade

As principais técnicas de construção com terra crua que utilizamos em nossos projetos são:
TIJOLO DE ADOBE TAIPA DE MÃO (PAU-A-PIQUE)
TAIPA DE PILÃO TAIPA ENSACADA (SUPERADOBE)
COB (TERRA EMPILHADA) BTC (BLOCO DE TERRA COMPRIMIDA)
TINTAS DE TERRA ARGAMASSAS DE REVESTIMENTO

TETO VIVO PARA COBERTURA DE EDIFICAÇÕES

Teto vivoA técnica construtiva de execução de TETO VIVO (telhado verde, cobertura gramada ou laje ajardinada) consiste em executar a cobertura de uma edificação com camadas que possibilitem a colocação de substrato e vegetação sobre a estrutura já existente ou a ser construída.

É uma das técnica de cobertura mais antigas usada pelo homem para se proteger das intempéries como a neve e o calor excessivo.

Os primeiros registros do uso do Teto Vivo datam do ano de 605 aC, quando foram descobertos vestígios da existência dos Jardins Suspensos da Babilônia (atual Iraque). Uma majestosa estrutura construída pelo rei Nabucodonosor II, para sua esposa, Amyitis.

Desde da Idade Média a cobertura viva era largamente usada. Existem registros de usos dessa técnica em ruínas de construções na Escandinávia (Suécia e Noruega) e também na Finlândia.

Conhecidos tradicionalmente como Telhados de Turfa (relva) ou Telhado de Céspede. Eram estruturados com madeiras roliças e cascas da árvore Bétula (Vidoeiro), que eram resistentes e impermeáveis.

Dentre as principais vantagens dos usos dos tetos vivos podemos destacar:

1 – Conforto acústico e térmico de até 30% em relação às coberturas convencionais

2 – Captação e filtragem de água de chuva, podendo ser utilizada em vasos sanitários, lavatórios, chuveiros e para irrigação

3 – Diminuição da variação de temperatura no interior das edificações e bioclimatização do entorno próximo, com formação de habitats e micro-climas agradáveis

4 – Filtragem de poluentes do ar pela vegetação

5 – Aumento das áreas permeáveis e do tempo de infiltração de água de chuva, minimizando as enchentes nas metrópoles

6 – Retirada de CO2 da atmosfera absorvido pela vegetação, minimizando o efeito estufa.

7 – Alta durabilidade, baixo custo energético e bela estética.

Para fazer um teto vivo é preciso escolher os materias certos, por exemplo não podemos usar qualquer lona ou material para impermeabilização, aquela lona que se usa no terreiro não deve ser usada para impermeabilização, é muito frágil e deteriora com o tempo.
O teto vivo requer uma camada de impermeabilização muito bem feita, pois todo teto como pre-requisito deve ser pelo menos estanque à agua de chuvas e sem vazamento.

Também devem ser executadas: uma camada de dreno e uma de filtro, e depois a camada de terra e vegetação. Para a camada de impermeabilização, procure uma manta feita de PEAD usado em aterro sanitário e obras de geologia e geotécnia, que tem ótima durabilidade e degrada com 600 anos. A construção exige mão de obra especializada. Não é qualquer estrutura e materiais; nem qualquer terra e plantas que podem ser usados. Caso contrário, vai deteriorar rapidamente e oferecer riscos à saúde da construção e de seus usuários.

O nome de cobertura verde ou teto vivo nasceu na Islândia, no extremo Norte da Europa, onde há invernosrigorosos. As casas eram feitas com torrão de terra empilhados e tinham no teto madeiras de árvores muito resistentes e, sobre elas, uma camada de torrões de terra. A umidade encharcava a madeira que inchava e se tornava estanque a água que passava pela camada de terra do teto. Com a chegada do verão e temperaturas mais amenas, as plantas cresciam sobre os torrôes de terra colocados no teto. Eram conhecidos tradicionalmene como telhados de Cespedes ou Telhados de Turfa (relva).

Se a terra crua na parede, como material cosntrutivo para fabricação de adobe ou pau a pique, traz conforto térmico, por que não no teto? Deixar a terra exposta pode trincar a terra e expor as camdas abaixo, portanto, a cobetura vegetal no teto vivo deve sempre estar viva e bem cuidada. Seguem duas qualidades térmicas dos tetos vivos: além da inércia térmica da camada de terra, a vegetação ao transpirar, rouba calor da superfície da cobertura, assim como acontece na evaporação, que acontece devido a incidência solar na superficie do teto.

Casas feitas com teto vivo proporcionam excelente conforto térmico e baixa amplitude térmica nos ambientes internos. Na Arquitetura Modernista o terraço – jardim era proposto como espaço de convivência e lazer. O conceito foi desenvolvido por Le Corbusier na década de 1920, fazendo parte de seus cinco pontos para nova arquitetura. Sua idéia foi a de “recuperar” aos cidadãos o espaço ocupado pela construção (espaço “subtraído” ao solo) na cobertura do edifício.

Nas cidades, um grande benefício do teto vivo é que ele possibilita a diminuição da quantidade de enxurrada. Só depois de seis horas de chuva, dependendo do tamanho e do plano de inclinação, que costuma ser de 15% a 20%, é que a água vai minar nos tubos de quedas e drenos do teto. Então, ela não forma grandes correntes de enxurrada, não sobrecarrega o sistema público de água pluvial, e o mais importante, diminui o risco de enchentes nas grandes cidades.

Outra questão positiva é que o teto vivo já faz a pre filtragem para a água da chuva ser captada, armazenada e usada para irrigação, no vaso sanitário, para limpezas e outros fins. Além disso o teto vivo possibilita o habitante usufruir de seu terraço como um jardim. Quando se tem muito verde num telhado vivo de 6m x 6m por exemplo, é possível diminuir em até um grau a temperatura no entorno próximo.

SANEAMENTO ECOLÓGICO / TANQUE DE EVAPOTRANSPIRAÇÃO / CIRCULO DE BANANEIRAS

Saneamento EcológicoQuando falamos em construções vivas e sustentáveis, aquelas que cooperam e preservam o meio ambiente, devemos frisar que toda edificação é colocada para ser parte integrante do ecossistema em que se insere, consumindo assim, energia e gerando poluição de diversas formas.

Para que a sustentabilidade de um edifício seja significativa devemos nos atentar primeiramente para a fase de construção, com a escolha de técnicas e materiais construtivos que gerem pouco impacto ambiental, toxidade e consumo energético. Em segundo lugar deveremos dar atenção redobrada para o consumo energético e geração de poluição durante os anos em que o edifício será usado, lembrando que em sua maioria o tempo de obra é irrisório se comparado com o tempo de existência e uso das edificações.

Um dos sérios problemas durante a “vida” de um edifício é a geração de lixo, principalmente através dos esgotos contaminando as águas usadas e os mananciais naturais.

Uma pessoa consome em media 160 litros de água durante um dia, toda essa água entra na edificação limpa, é usada e sai poluída. Cerca da metade desse volume total é usado para o vaso sanitário, constituindo o que chamamos de esgoto negro (aquele que contem fezes). A outra metade é usada nas pias, tanques, torneiras e chuveiros, e é chamada de águas cinzas por não conter fezes.

Captar, filtrar e armazenar a água da chuva para uso nas edificações seria o primeiro passo para lidar de maneira sustentável com os recursos hídricos.

Porém, em segundo lugar devemos dar destino correto para os esgotos.

TRATAMENTO BIOLOGICO E REUSO DAS AGUAS CINZAS

Depois de passar por uma caixa de gordura, onde esta fica retida e boiando na água, as águas cinzas podem ser conduzidas para o filtro biológico: passando por uma caixa estanque com plantas aquáticas filtrantes no primeiro nível, seguido por camadas de terra, cascalho, carvão e brita. No fundo da caixa tem-se um cano com diversos orifícios pequenos por onde a água sai filtrada pronta para uso no jardim e nos vasos sanitários.

CIRCULO DE BANANEIRAS

O circulo de bananeiras também é uma boa solução para dar destino ao esgoto cinza. Uma vez que se cria uma condição para que as raízes das bananeiras possam filtrar as águas servidas.
A técnica consiste em cavar um buraco redondo com boca de 1m de diâmetro e também com 1 m de profundidade onde são depositados materiais orgânicos provenientes de podas, aparas de jardim, restos de verduras e legumes. Nesse buraco é também depositado o esgoto por meio de uma rede se esgoto.

BACIA DE EVAPOTRANSPIRAÇÃO

A bacia ou leito de evapotranspiração é uma ótima opção para dar destino ao esgoto negro onde não se tem condições de instalar um sanitário compostável a seco. Ou nos locais que onde o nível do lençol freático é alto para instalação de sumidouros ou valas de infiltração.

A bacia de evapotranspiração é conhecida como sistema de tratamento de esgoto de emissão zero, ou seja, não existe emissão poluente na natureza, o único subproduto de seu funcionamento é o vapor de água.

Temos dois sistemas de tratamento do esgoto juntos em uma mesma estrutura, onde acontece a decomposição anaeróbica do esgoto negro, a filtragem e purificação da parte liquida que é transformada em puro vapor de água.

O sistema é composto basicamente por uma estrutura totalmente impermeabilizada que contem uma câmara de decomposição anaeróbica, um filtro de cascalho, pedras e areia, e um canteiro com terra vegetal e plantas com grande área foliar, como a bananeira e a taioba.

O efluente é lançado primeiramente, na câmara anaeróbica onde a parte solida do esgoto é consumida por bactérias que sobrevivem sem a presença de O2. Depois o esgoto passa de baixo para cima pelo filtro até ser evaporado pela superfície do solo, sugado pelas raízes das plantas e transpirados pelas folhas.

Esse sistema é ideal para regiões quentes. Para sua instalação devemos nos atentar para que a região tenha índices pluviométricos menores que as taxas de evapotranspiracão para assim o sistema funcionar com eficiência, uma vez que sem calor adequado não acontece suficientemente a vaporização pelo solo e nem a transpiração pelas plantas.

BIO SANITÁRIO COMPOSTÁVEL A SECO – BIO’S

BiosanitárioCONTEXTUALIZAÇÃO / HISTÓRICO

A saúde e a manutenção da qualidade de vida nos ecossistemas da terra dependem do funcionamento sustentável dos organismos que nela habitam. Incluindo as edificações, que como os seres vivos, possuem suas funções excretoras com geração de esgotos e dejetos, que podem ser substituídas por produção de húmus e alimento, através da consciência ecológica e do uso de técnicas como o Sanitário Compostável.

Para dar destino ao esgoto negro (aquele que contem fezes) o melhor a se fazer é ter um Sanitário Compostável, ou também chamado de banheiro seco, no qual não utilizamos água para dar descarga e sim matéria orgânica (serragem, folha secas ou terra).

Além de não necessitar de aguá para a descarga, não depende de rede de esgosto e altos custos com tubulações, caixas de passagens e com estações de tratamenos de esgoto centralizadas. E o mais importante permite transformar em adubo, para ser usado no pomar e no jardim, os desejos que virariam esgoto negro e contaminantes de mananciais, lençóis freáticos de água, rios e mares.

No Sanitário compostável, os dejetos juntamente com papel higiênico usado e a matéria orgânica que se joga no “vaso” depois do uso, passam por um processo de compostagem controlada com temperaturas de ate 70 graus, para eliminar os agentes patogênicos do material e transformar os dejetos em ricos compostos orgânicos, utilizados em arvores, jardins e no minhocário para gerar húmus agrícola.

O uso desses sanitários é bastante antigo, com mais de cem anos de vida ganhou força a partir da década de 60, atualmente fora do Brasil são comercializados sanitários compostáveis compactos, que podem ser instalados até mesmo dentro de nossos banheiros urbanos convencionais.

As câmaras de compostagem desses sanitários devem ser projetadas, construídas e usadas para permitir a perfeita compostagem do material, assim o processo biológico natural de decomposição aeróbica (com a presença de O2) é

otimizado, todos os agentes patogênicos são mortos, e um sistema de ventilação e convecção elimina em 100% o mau cheiro.

VANTAGENS DO USO DO BIO’S

Além de benefícios claros ligados a preservação do meio ambiente, o uso do sanitário compostável traz inúmeras vantagens para as pessoas, famílias e comunidades.

Veja dez motivos para usar o BIO’ Sanitário compostável.

1- Economiza água – uma descarga consome em média 15 litros de água, 30% a 40% do consumo de água de uma pessoa é perdido nas descargas convencionais.

2- Não polui e nem contamina o solo, os rios, as águas subterrâneas e os oceanos.

3- Gera composto rico em nutrientes para o solo e para as plantas, que pode ser usado como fertilizante para jardins, pomares e árvores frutíferas. (evita-se o uso dos compostos do BIO’S diretamente em hortaliças, a não ser que sejam devidamente monitorados)

4- Independência em relação ao sistema de saneamento básico: não necessitando de tratamento e fornecimento de água; e nem de coleta e tratamento do esgoto

5- Não gera nenhum mau cheiro se bem construído e utilizado.

6- Mais higiênico do que as fossas negras secas convencionais (buraco cavado no chão onde não se acrescenta matéria orgânica depois do uso, nesse sistema de sanitário as fezes não entram em compostagem e sim em putrefação e fermentação anaeróbica (sem a presença de oxigênio), o que gera muito mau cheiro e gases tóxicos e inflamáveis)

7- Recicla os dejetos humanos, restos de comida, podas de grama, folhas rasteladas, aparas de verduras e legumes, e quase todos os lixos orgânicos de uma casa.

8- Evita ou reduz o uso de agrotóxicos, principalmente fungicidas, pois com uso de composto do BIO’S as plantas ficam mais fortes e resistentes as pragas.

9- Evita o lixo gerado com o papel higiênico sujo, no BIO’S ele pode ser jogado no vaso para a compostagem.

10- Os custos de instalação e manutenção são mais baratos que os custos com banheiros convencionais que necessitam de rede de água e de esgoto. E pode ser instalado em locais onde as fossas não podem ser cavadas por o terreno não permitir ou o lençol de água ser pouco profundo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CAMPBELL, S. Manual de Compostagem para Hortas e Jardins. 1995.

BUENO, Mariano. Como hacer um buen compost. 2003.

LENGEN, V. Johan. Manual do arquiteto descalço. 2004

SÁNCHEZ, Cristian. Abonos orgânicos e lombricultura. 2003

JENKINS, Joseph. The humanure hand book, A Guide to Composting Human Manure.1999.

PORTO, D. David. STEINFELD, Carol. The Composting Toilet System Book. 2000.

BAMBU NA CONSTRUÇÃO

Bambu na construçãoO bambu é uma espécie vegetal da família Gramínea com mais de mil espécies existentes pelo mundo. A maior concentração nativa desse vegetal é na Ásia e nas Américas. O bambu possui crescimento e amadurecimento rápido podendo chegar a 18m de comprimento em 60 dias e amadurecer em 3 anos, enquanto espécies arbóreas demoram em media 60 anos para atingirem esse comprimento e 6 anos para atingirem o amadurecimento para a extração.

Assim um bambuzal dá, em média, em cinco anos cem metros lineares a mais de matéria prima de qualidade superior ou igual a qualquer madeira de lei hoje disponível no mercado. Alem disso o bambu é uma planta auto renovável quando extraída de forma correta, uma vez que a retirada de algumas varas significa uma poda no bambuzal, que naturalmente continua produzindo novas varas e não precisa de ser replantado como as espécies arbóreas.

Na Ásia desde os tempos pré-históricos temos registros do uso do bambu como matéria prima para as varias atividades humanas, desde a alimentação, vestuário, utensílios e construção. Na Colômbia e em Hong-Kong o bambu já é largamente utilizado na construção civil. É comum nesses lugares vermos casas, edifícios, pontes e andaimes feitos inteiramente com estruturas e acabamentos em bambu. Um exemplo clássico do uso estrutural do bambu é a construção milenar da cúpula do Taj Mahal (recentemente substituída por outro material estrutural).

Alem da função estrutural o bambu pode ser usado como vários outros elementos construtivos como as paredes, as telhas, laminados de bambu para acabamentos, forros, pisos, mobiliários, utensílios e inclusive como planta ornamental e do jardim fazendo seu papel nos tempos de aquecimento global, com a absorção de grandes quantidades de CO2 da atmosfera.

No Brasil o uso do bambu na construção ainda é pouco difundido sendo que ainda temos resistência ao uso construtivo desse material por falta de uma “cultura” e divulgação de suas qualidades mecânicas e de tratamentos eficazes para a conservação e manutenção das varas utilizadas.

Para a conservação e tratamento do bambu deve se atentar para a época de sua colheita, evitando meses chuvosos, pois as varas colhidas em tempo seco terão mais resistência que as outras e serão menos susceptíveis ao ataque de pragas. O importante no tratamento do bambu é a retirado do excesso de amido da planta, alimento que atrai os carunchos, pragas mais comuns nos bambus.

Uma alternativa bem natural para o tratamento é a imersão do bambu por 30 dias na água, sendo que podemos dispor também de tratamentos mais rápidos a base de defumação, calor e aplicação de substancias que protegerão o bambu das intempéries e pragas como: a seiva de bananeiras, cactos, ceras de abelha e de carnaúba, além de caldos feitos com cascas de arvores como a da aroeira e pau santo. Apesar da contra indicação devido à toxidade, existem produtos químicos disponíveis no mercado a base de solventes que podem ser usados no tratamento do bambu como são usados em qualquer madeira.

Estudos realizados no Departamento de Engenharia Mecânica da Faculdade de Engenharia da UNESP em Bauru mostram que as espécies mais indicadas para o uso estrutural na construção civil são as dos gêneros Guadua (conhecido no Brasil como Taquaruçu), Dendrocalamus (denominado Bambu gigante ou Bambu balde) e Phyllostachys pubescens.

Esses bambus possuem boa resistência a esforços de tração, compressão e modulo de elasticidade. Podendo superar 180MPa de resistência a atração (com energia por unidade de tensão 50 vezes menor que o aço); 80 MPa para esforços de compressão (muito superior aos do concreto e de muitas espécies de arvores), e até 20.000 MPa para o modulo de elasticidade (cerca de 1/10 do valor alcançado pelo aço. Cabos de bambus trançados oferecem resistência similar ao aço CA-25 (2.500 kgf./cm2). O peso, no entanto, é 90% menor).

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